“Sem muito precedente histórico”: o tornado que deixou Chapecó em situação de emergência
Para quem doa · 05/11/2026
Era meio da manhã de quarta-feira, 4 de novembro, quando o céu escureceu sobre Chapecó, no Oeste de Santa Catarina.
Por volta das 10h30, o radar da Defesa Civil identificou os ventos girando dentro da tempestade. Era um tornado.
Em poucos minutos, telhados voaram, árvores caíram sobre as ruas e bairros inteiros ficaram sem luz.

Uma estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou rajadas de 126 km/h. Em outro ponto da cidade, a estação da Defesa Civil estadual marcou 93 km/h.
"Sem muito precedente histórico"
A Defesa Civil de Chapecó chamou o tornado de o maior evento climático dos últimos 50 anos no município.
Para o diretor de Proteção e Defesa Civil da cidade, Walter Parizotto, foi um tornado "sem muito precedente histórico". Segundo ele, a área atingida é "muito grande, próxima a 16 quilômetros".
Os bairros mais atingidos foram Quedas do Palmital, Palmital, Palmital dos Fundos, Seminário e Universitário.

A cidade em emergência
A prefeitura decretou situação de emergência em todo o município, por 180 dias. O decreto registra 2.478 ocorrências.
O Corpo de Bombeiros atendeu mais de 400 famílias. Até a manhã de quinta-feira, 854 casas já tinham pedido telhas ou lonas para cobrir o telhado.
No Aeroporto Serafim Enoss Bertaso, o vento arrancou partes do teto e quebrou vidraças. Um avião que se preparava para decolar precisou interromper a operação, e os voos foram suspensos.
Em Chapecó, ninguém morreu. Na mesma manhã, a Defesa Civil confirmou um segundo tornado na região, em Xanxerê.

Vizinhos ajudando vizinhos
No dia seguinte, os ginásios já tinham virado centros de doação. Voluntários separam roupas, montam kits e preparam marmitas: só a Catedral Santo Antônio mobilizou gente para fazer 2,5 mil.
A Prefeitura também se reuniu com a Defesa Civil Nacional para organizar a ajuda às famílias.

Como ajudar
A Prefeitura de Chapecó orienta:
- Doações de objetos: no ginásio do bairro Santa Maria (rua Assis Brasil, esquina com a Achiles Tomazelli) e na Central de Doações, das 7h às 20h; e no Parque de Exposições Dr. Valmor Ernesto Lunardi, no bairro Efapi, das 7h às 18h.
- O que mais falta: colchões, pias, móveis, fogões, material de limpeza e de higiene, e alimentos não perecíveis. Roupas não são mais necessárias, segundo o secretário da Família e Proteção Social, Luciano Hüning.
- Doações em dinheiro: o canal oficial é a campanha Ajude Chapecó e Região, do Centro Empresarial de Chapecó (CEC), com a prefeitura. O Pix é o CNPJ 73.211.385/0001-00. O dinheiro compra os materiais que a prefeitura indicar.
- Quem teve a casa atingida informa os danos no cadastro da prefeitura.
O que vem agora
Os telhados vão ser trocados aos poucos. As árvores, tiradas das ruas.
Mas, em Chapecó, a reconstrução começou antes das telhas chegarem: pelos vizinhos.
Com informações da Prefeitura de Chapecó, da Defesa Civil de Santa Catarina, do ND Mais e do Terra. Fotos: Prefeitura de Chapecó/Divulgação.